Ai de mim, Copacabana!
Ai daquele, que após viver entre seus postos2, 3, 4, 5, 6...,
marcados por linhas imaginárias
entre as muralhas de torres geminadas
como um arrodisement típico de Paris
espremido entre as rochas e o mar,
teve o infortúnio de dali partir
Ai é o gemido calado,
dado num dia nublado, quando entrei no carro
sem querer me despedir de ti
Dourados foram os anos presenteados
com pedaladas e passos bem dados
às margens da longa Avenida de nome mítico
pelo calçado da princesinha do mar
desenhado com curvas bicolores sinuosas
pelas veredas famosas mundo afora
a tropeçar no bambolear das pedrinhas da terrinha
Sim, havia pedras ao longo do passeio público
O grande poeta sentado em seu banco perene é testemunha
da via ladrilhada de magma condensado
extraído da antiga pedreira de Botafogo? de João Romão, de Jerônimo... e tantos Josés
de agora?
de outros tempos
fragmentos de ficção, ou ainda de fantasias
grãos de areia fina do Saara pousados na pele dos pés de todo tipo de gente:
turistas, cariocas da gema, da borda, baixada, de gestação, adoção
coração
de senhoras distintas agentes e pacientes de sua transmutação:
"Copacabana na década de 50 era uma jóia, uma jóia!", exclamava minha tia-avó paterna em certa ocasião, retirada na Gávea
(pois quem vive uma vez em Copa, e se vai, sempre será uma expatriada)
Sim, tia Célia, "Copacabana era uma jóia!"
Copacabana É uma jóia
rara, arranhada e real
Da Av. Princesa Isabel aos domínios da Rua Rainha Elisabeth
Agora com um príncipe a habitar seu mais belo palácio, em plena pandemia
Creio que o vi certa vez no terraço, a adentrar um dos salões
Tornado então vazios de aglomerações
pelas restrições
mas repleto de música e poesia de Jorge, tanto o guerreiro quanto o Ben da música de um país tropical,
então abobalhado pelas piadas de desgraças de um palhaço no planalto
Ai de ti, antiga capital federal!
Se ainda fosses soberana sobre o país que representas como cartão-postal, o que farias desse cenário?
O que farias de nossa História?
Ai de nós, ai de vós também, Copacabana, Flamengo, Madureira, Brasilândia, Ipiranga!
Ai de mim, e do poeta prostrado no banco e do cronista do Espírito Santo e dos artistas e de todos aqueles agraciados pelos abraços de suas ondas, labirintos de edifícios de décadas cantadas em becos de garrafas
e ruas arborizadas - sendas de passagem de senhores donos de apartamentos e relatos, além de abrigo aos desvalidos
Ai daqueles, Copacabana! Ai da gente em suas ruas
Ai de nós apertados em seus caros conjugados, apartados de seus amplos quartos
Jamais pensara que suas pedras, praias, prédios, ruas, becos, esquinas e avenidas me cativariam tanto ao ponto de ter de exclamar:
Ai de mim, Copacabana! Ai de mim, longe de tuas tramas...
Em pensar que no reino de meu peito foste alçada de Princesa à Rainha do meu amar.
e ruas arborizadas - sendas de passagem de senhores donos de apartamentos e relatos, além de abrigo aos desvalidos
Ai daqueles, Copacabana! Ai da gente em suas ruas
Ai de nós apertados em seus caros conjugados, apartados de seus amplos quartos
Jamais pensara que suas pedras, praias, prédios, ruas, becos, esquinas e avenidas me cativariam tanto ao ponto de ter de exclamar:
Ai de mim, Copacabana! Ai de mim, longe de tuas tramas...
Em pensar que no reino de meu peito foste alçada de Princesa à Rainha do meu amar.
01/03/2021