domingo, agosto 19, 2012

reinos, ruídos e sentidos


O que dizer quando tudo o que se tem pra falar em dado momento seria apenas palavras espalhadas no vácuo de um espaço repleto de clamores por preenchimentos que não passam de um amontoado de partículas de oco,oco,oco.  Necessidades patológicas (de muitos, de alguém, de quem?) por manter sempre o ritmo alucinante de movimentos que exprimem necessidades de não se deixar a peteca cair, a linha cortar e desocupar-se. Como em um (suposto) diálogo no celular em que o outro estranh@ quando o interlocutor do outro lado se põe apenas a escutar e esboçar um calar fremente, fazendo logo surgir do outro lado os (re)correntes: "Você está aí?", "Alô!", "Você tá me ouvindo?", "Então, como estava dizendo...". Quem sabe pra se certificar de que seu (o meu? o teu? nosso?) monólogo não é em vão, de que existe em sua própria razão de ser consciente e consequente. Uma garantia de que o enxerto de expressões possa reinar absoluto sem a intromissão daquele que sempre está a tudo rondar, aquele que sempre teima em aparecer em toda ocasião de alguma suposta não interação. Aquele que por mais que se tente afastar com muita saliva, excesso de tons e sons, ainda assim permanece entre as pausas e entrelinhas das palavras, posts, ligações e situações. Aquele que povoa nossos momentos de dúvidas e curiosidade por (nossa? minha?) pura ignorância do que isso, esse, enfim, do que essa tal coisa possa ser capaz. Talvez por termos a noção, mesmo que mínima, de sua potência, sua força motriz capaz de movimentar e modificar a mais sólida e complexa massa. E, principalmente, por representar o que muitas vezes não podemos suportar. O fim da linha. Término da bateria. Corte abrupto da garganta a pronunciar discursos, entoar canções onde seu gérmen está sempre presente ao final de cada batida, tom e saída. Império do silêncio ensurdecedor a criar ruídos, gritos, sussurros, gemidos e grunhidos a movimentar redemoinhos e reverberar em incontáveis ouvidos e sentidos.

Ouvindo: o fim de uma canção.