sexta-feira, novembro 25, 2011

Redes, correntes e peixes

Estava vendo agora há pouco um vídeo no youtube chamado "você precisa sair do facebook"; o link tá logo abaixo, não sei fazer o esqueminha de colocá-lo na palavra... Se trata de um cara expondo sucessivamente cartazes com dizeres do tipo "você não tem 852 amigos". Tal apresentação, inevitavelmente, fez-me pensar sobre minha relação com redes sociais, blog, incluindo este aqui, mensageiros e afins, enfim, a teia virtual face aos fatos reais e virtuais. Faz já um tempo que tenho pensado sobre essa coisa de que praticamente faço parte de uma geração, pelo menos aqui no Brasil e no meio social em que vivi, a ser a primeira que cresceu junto com esse monstro (em suas várias acepções) chamado internet. É engraçado pensar que quando tinha meus treze pra quatorze anos, lá pelo final da década de 90, no final do século XX, final do último milênio da era comum... essa presença hoje quase constante era vista como uma novidade, mesmo nessa época já ter sido criada há mais de uma década. Lembro de revistas, em papel e eletrônicas, surgindo pra comentar sobre essa rede de novos espetáculos. Éramos como desbravadores de um admirável mundo novo de conexões discadas, lentas e demoradas, que comiam os pulsos das linhas telefônicas. Atualmente com as rápidas bandas largas a desfilarem em um piscar de olhos, ou melhor, em apenas um click no rato, talvez tenha me dado um efeito nostálgico de um tempo em que durante os dias "úteis" da semana tinha de esperar dar meia-noite para me conectar com esse mundo de maravilhas. Hoje, após meu crescimento (de números na idade expostos na carteira de identidade) e do lugar onde neste exato momento em que escrevo agora estou, vejo que, obviamente, muita coisa mudou, transformou-se, e ao assistir esse vídeo do moço dos cartazes a falar de relações virtuais e reais me ponho a pensar em minhas redes sociais, virtuais e virais, que apesar de mergulharem em muitos pontos, praias e portos, ainda assim se interconectam numa mesma corrente de canais, naturais e artificiais, trazendo à tona uma forma de realidade repleta de nuances e tonalidades diversas. Como o próprio "livro da face", por exemplo, que, muitas vezes, ao se olhar na lista de "amigos", percebe-se que muitos rostos ali não passam de espectros de uma realidade que já não existe, de imagens que te faz lembrar daquele lugar comum que não nos deixa facilmente: a lembrança de um tempo que não volta mais, ou melhor, nesse caso, de diferentes pessoas que passaram por sua vida em determinado momento e que hoje muitas não passam de perfis que não mais te dizem respeito, ligam-se a você apenas por um fio de memória vaga que parece não te levar a mais nada além de uma pequena lembrança aqui e acolá. São como fantasmas em forma de figurinhas em um álbum de formatura de colégio norte-americano, aquele que vemos nos filmes de sessão da tarde. Por mais que se viva numa cidade gigante como a que eu vivo, às vezes parece que ainda moro numa cidadezinha de interior ao entrar na tal rede social e me deparar com um comentário ou com a feição daquela pessoa que um dia você pensou que seria um eterno amigo, e que hoje não passa de apenas mais um peixe em sua rede de dezenas e centenas e um milhão de "faces"; ou aquele sujeito que você nunca iria imaginar ainda dar de cara com ele/ela em sua tela. É, tudo isso parece até um déjà vu sinistro. Ainda mais para alguém com uma tendência ao paradoxo de iconoclastia misturada à nostalgia. Sei muito bem que também existe a opção de deletar, excluir, terminar sua conta, porém nem sempre para sempre. Já fiz e ainda faço muito disso. Cheguei até a cometer o homicídio (ou seria suicídio?) do perfil do livro da face, e ao tentar conferir a veracidade de sua morte, acabei caindo novamente na rede social ao ressuscitá-lo, e com a decisão não mais extingui-lo, pelo menos por enquanto. Assim como este exato espaço, onde ainda teclo em meio a uma rede repleta de cardumes, sereias e tubarões. Resistir à isca não é coisa fácil não...
Ouvindo: PJ Harvey - "Down by the water"