Dizem que quem tem sorte no jogo não tem sorte no amor, e vice-versa... Acho isso absurdo, pois para mim amor e jogo são como sinônimos. Amor não deixa de ser uma jogada, às vezes jogada de mestre, outras com sorte de principiante, e em alguns casos deve-se jogar tudo fora... Quando se ama, joga-se também, tenta-se conquistar, compete-se por espaços, troca-se, rouba-se (o melhor são os beijos...), dá-se as cartas, descobre-se, blefa-se, aposta-se, e todos podem ganhar ou perder...
Amar é como jogar, para alguns as regras são dadas como uma jogada de dados onde o resultado não é premeditado, outros já colocam as cartas na mesa, alguns ficam cheios de faltas por chutar tudo pro alto sem ligar para cartões vermelhos ou amarelados. Uma sacada pode emplacar a partida, empacar uma tacada ou animar a torcida, torcida essa que muitas vezes ajuda, outras atrapalha por querer também entrar no jogo, invadir o campo, empurrar um dos maratonistas por achar que possui a verdade, só porque dizem que quem está de fora consegue ver tudo mais claro, claro, claro como um raio no meio da corrida a clarear e também ofuscar as vistas. No começo do jogo não se canta vitória antes do tempo, como as cantadas que podem virar longas canções ou apenas um curto refrão de verão?
Alguns jogos precisam de concentração, outros são apenas como uma leve distração, alguns deixam sensação de frustação, outros de continuação...
Amor é jogo ou amor é simplesmente amor?
A voz sentida e reflexiva: Amar é jogar-se em um abismo onde não se sabe onde vai dar
Ouvindo: Ceu - Mais um lamento
Apenas uma página de gritos e sussurros, de incertos e absurdos, impressões e expressões, pensamentos e emoções condensados e sintetizados em palavras grifadas e GRITADAS!!!
domingo, fevereiro 17, 2008
domingo, fevereiro 03, 2008
Brasil: País de bois?
Parei de comer carne vermelha quando tinha dezesseis anos, em especial a bovina, pois a suína já havia descartado há algum tempo. Não virei vegetariano, pois ainda como frango, peixe, ovos, quem sabe um dia banirei qualquer tipo de animal do meu prato. Ainda não sei, talvez se tiver um bom motivo pra isso. Sempre quando alguém vem me oferecer um churrasquinho, um bifezinho, uma maminha, um patinho, um testículo de "buá" e digo que prefiro um filet de frango e a pessoa insiste (tem coisa mais irritante do que alguém insistindo pra você comer, apesar de você negar três, quatro vezes?...) e acabo dizendo que não como carne vermelha, na maior parte das vezes já logo aparece aquela interjeição e interrogação: Ohh, mas por quê?? Você tem pena do boizinho? Tem nojo? Mas a galinha também é bicho morto... (gente tentando te convencer a comer a carne com esse discurso ou dizendo que comer carne é vital é às vezes mais chata que gente tentando te converter ao vegetarianismo!) Já me expliquei falando que peguei Tenia e fiquei com trauma de bife, até os bem passado, já disse também que uma vez mordi um hamburguer e ele mugiu pra mim, e quando não desconverso e tenho saco pra explicar, comento o motivo último e primordial: não como carne bovina não é porque simplesmente tenho peninha do boi (apesar de achar bizarro algumas formas de abatimento de gado), não tenho tanto motivo pra temer a extinção de uma espécie que está longe de desaparecer, existem mais cabeças de gado no Brasil do que cabeça de gente, e ocupam bastante espaço. Mas enfim, por que não como carne? Por que minha religião considera o boi sagrado? Não, não como carne simplesmente porque decidi não comer mais, e principalmente porque boi custa caro do jeito que está sendo tratado pelos reis do gado que derrubam florestas pra fazer de pasto, causando um enorme prejuízo a curto e longo prazo: a perda da riqueza de nossa biodiversidade e da garantia de uma melhor qualidade de vida, hoje e amanhã, semente do fruto do desmatamento desenfreado. Muitas espécies, como as araras, por exemplo, estão tendo de migrar para as cidades pela perda do habitat natural - praticamente um êxodo animal em que muitos - animais e plantas - ficam ameaçados de extinção. Toneladas de Co2 são emitidos com as queimadas que contribuem para o efeito estufa e aquecimento do planeta. Fora que o solo da Amazônia fica extremamente pobre sem a vegetação da floresta, dando margem à criação de um imenso deserto bucólico, cheio de boizinhos e vaquinhas magrinhos. Mas daí vem você dizer que quero usar o boi como bode expiatório e a soja também é como uma erva daninha, e também os madeireiros, grileiros, e forasteiros que querem roubar nossa selva, não é? Bom, não sou tão ingênuo a ponto de achar que todo um problema tenha apenas uma causa, sei que a questão é complexa e os motivos são vários, como os já citados, mas acredito que uma visão ampla da questão e foco no que é possível de se realizar de imediato é uma forma de contribuir para mudar o quadro, nem que seja com uma mudança no prato. Acredito no poder de cada ação, da atitude de cada um e do poder de pressão da sociedade, afinal, não dizem que o freguês tem sempre a razão? Os consumidores são a principal voz propulsora do mercado. Não vejo todas as grandes corporações como Golias a ser acertado, mas acontece que muitas vezes alguns gigantes são caolhos e acabam pisando na grama - no caso a floresta - em que não deviam e então me vejo no direito de interferir, nem que seja com uma placa a dizer: se continuar a pisar na grama não terá minha grana! Se não pararem de desmatar não vou mais comprar! Não sou contra o consumo de carne em si - tampouco a favor, até hoje não me fez falta - apenas não quero compactuar com algo que acredito ser no mínimo inconseqüente e irresponsável para todos. Não quero que espécies vegetais, animais e culturais sejam transformadas em lenda só porque agora o Brasil, que já foi o país da cana-de-açúcar, do diamante e ouro e do café, transforma-se num país de imensos pastos, plantações de soja e desertos queimados, onde poderia ser o país chave do equilíbrio sustentável do planeta com nosso enorme verde, não apenas (de) na bandeira.
Ouvindo:
Meat is Murder - The Smiths