segunda-feira, agosto 06, 2007

Última expiração, atual inspiração

Hoje faz dez dias que meu cachorro se foi. Seu último momento presente presenciei lembrando de fatos viventes decorrentes, de passados distantes e recentes... Dez dias se passaram e lá se foi meu cãozinho com seus dez anos vividos sempre ao meu redor: latindo, lambendo, rosnando, brincando... Mas sempre presente quando em casa eu chegava. Parece que um grande ciclo da minha vida se fechou com seu sacrifício naquela mesa cirúrgica daquela veterinária que, enquanto preparava a anestesia e a letal injeção, falava que quando ainda estudava na universidade não queria nunca praticar tal ato – acabar com algum mal que acometesse um animal através de um sacrifício, fácil porém também difícil. Meu cãozinho morreu calado, como se soubesse e entendesse o porquê de ter tido de viver e por que teria de morrer ali, seu olhar parecia saber o sacrifício que iria viver... parecia saber que teria de deixar aquela vida - já não havia mais saída, apenas sobrevida.
Minha mão se despediu sem tocá-lo, meus dedos secaram meus olhos molhados e meus pés caminharam para uma nova etapa da estrada, com um certo luto pela despedida, pela vida perdida, porém bem vívida e bem vivida, pelo menos creio eu... Vi de perto seu último sopro de vida, sua última batida, sua última expiração, seu último farejo de expiação - minha atual inspiração.

Toby, seu cachorrinho glutão de Plutão, não coma o bolo de Cérbero que está em cima da mesa, pois ele tem três cabeças e muito mais dentes... Seja gentil com Perséfone que Hades te apreciará... Espero notícias suas através de Hermes.


Toby -

* 06/11/1996
+ 27/07/2007