Estou trabalhando numa exposição que fala sobre São Paulo vista de cima, de seus muitos lugares com visões vindas dos ares com seu tráfego de aviões constantes, helicópteros barulhentos e alguns poucos dirigíveis. Me inspirei nessas criações e resolvi expressar um pouco do que trombo aqui em baixo.
Onde estou?!
Sem ou Cem palavras pra descrever e escrever SÃO PAULO. Esta cidade país de 8 letras escrita com letras minúsculas e maiúsculas, LETRAS lidas nos ENGARRAFAMENTOS COLOSSAIS de suas GRANDES AVENIDAS. Cidade do trabalho caro para ganhar o dinheiro, às vezes raro. Cidade dos negócios e coisas de seus habitantes e passantes cheios de esperanças e miragens, que fazem e desfazem-se como nuvens de fumaça preta a manchar paredes brancas, tornando-as cinza como concreto, contrastando e misturando-se com ligações de moças suburbanas providenciando e esperando, esperando, esperando...
Cidade que preenche suas paisagens com infinito...
Edifícios de dor, edifícios com jovens apaixonados, executivos cansados e porteiros iletrados.
São Paulo – cidade com nome de Santo, cheia de milagres e pecados de seus anjos do asfalto com suas lutas sem trégua, campo de batalha incessante povoado de graça e humor negro.
Terra ingrata com alguns de seus filhos nascidos em suas terras molhadas pela escassa garoa, que agora apenas escoa pelas enchentes de rios poluídos, rios passageiros. O Rio é seu companheiro ou apenas um brejeiro nada lisonjeiro?
Amantes da noite, amantes do dia com sua sinfonia de buzinas: decibéis em demasia.
Seria hipocrisia a gentileza nos “Bom dias”, “Boas tardes” e “Amigo, até outro dia!”?
Alguns apenas a suportam, outros a adoram. Muitas vezes quem detesta não estampa na testa. Cidade do cotidiano GRITANTE ou cidade de Festa?..
Ainda não me decidi, nem sei se farei. Apenas moro e morro nesse constante paradoxo dessa cidade que vive nos ódios e amores, no ódio e amor, por favor!
Pergunto: “Onde estou?!”
Estou em São Paulo, ou simplesmente, Sampa.
Ghito Grito